quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Resenha: O Clube do Filme de David Gilmour

Uma dica de uma leitura rápida e bem dinâmica que tenho certeza que não vai decepcionar ninguém é o livro O Clube do Filme (The Film Club) do escritor e crítico de cinema canadense David Gilmour. A obra foi lançada no Brasil em 2009, pela editora Intrínseca.

A história, autobiográfica, gira em torno da relação entre David e seu filho Jesse. Em tempos difíceis, David Gilmour estava sem trabalho fixo e com o dinheiro curto. Para piorar, seu filho de 15 anos, Jesse, vinha colecionando reprovações em todas as matérias do ensino médio. Diante da desorientação e da infelicidade desse “filho-problema”, o pai fez uma oferta fora dos padrões: o garoto poderia sair da escola - e ficar sem trabalhar e sem pagar aluguel - desde que assistisse semanalmente a três filmes escolhidos por David.

Com essa aposta diferente na recuperação e na formação de um rapaz que está "perdido", formaram o clube do filme. Semana a semana, lado a lado, pai e filho viam e discutiam o melhor (e, ocasionalmente, o pior) do cinema. Essas sessões os mantinham em constante diálogo - sobre mulheres, música, dor de cotovelo, trabalho, drogas, amor, amizade -, e abriam as portas para o universo interior do adolescente, num momento em que os pais geralmente as encontram fechadas.


Spoilers!

O livro tem algumas coisas que me conquistaram de cara: história simples, sem tramas mirabolantes; um texto intimista, que transporta o leitor para dentro do cenário, fazendo com que se sinta realmente testemunha ocular dos fatos e a mistura eficiente entre o texto biográfico e o texto literário.

Vou dar uma dica importante que faz toda a diferença durante a leitura: leiam esse livro com a página de um site de pesquisas aberta. É sério! David Gilmour é um grande crítico de cinema e vários filmes comentados por ele chegam a ser até desconhecido do grande público. Quando você visualiza o que ele está falando, tudo ganha uma proporção maior.

Nos primeiros capítulos do livro eu confesso que me cansei da história, pois achei que tudo se centralizaria no tal clube e que o livro inteiro seria recheado de críticas a produções, atores e diretores. Mas na verdade o “clube do filme” é somente pano de fundo. O livro inteiro fala sobre a nostalgia de um pai que conta como foi assistindo de perto seu filho adolescente se tornar um homem.

A forma como Jesse foi criado me incomodou muito durante todo o livro e não digo só pelo fato dele ter abandonado a escola com o consentimento dos pais. A visão de vida que ele passou a ter sem a escola ficou tão simplória e direcionada a coisas banais que, para mim, ele se tornou um homem fraco. O tempo todo ele busca apoio de David para colocá-lo na linha, para mostrar um caminho e até mesmo afirmar coisas óbvias. E como o narrador é o próprio pai, envolvido diretamente na história, fica claro, em minha opinião, que ele não percebe isso.

Embora, no final admito que me peguei reavaliando minha visão de educação, na forma mais ampla da palavra, pois Jesse toma um certo rumo na vida e se mostra realmente entendido em cinema. Quase no fim do livro, há uma conversa entre pai e filho que, para mim, foi o ponto auge para mostrar o quanto Jesse se envolveu com toda a educação através do “clube do filme”, mesmo sem perceber. Segue:



Ainda não cheguei a nenhuma conclusão sobre o melhor jeito de se educar alguém... e acho que nem mesmo David tenha concluído algo. Ele simplesmente tentou sempre fazer o melhor para o filho, disposto a encarar as possíveis conseqüências que isso pudesse trazer. Louvável.

O livro termina sem fim e isso não é necessariamente ruim, pelo contrário, só mostra que a vida continua para eles, como se a cada dia eles estivessem construindo novos capítulos.

Como disse no primeiro parágrafo desta resenha: é uma leitura rápida e dinâmica. Vale à pena ler!

Ficha Técnica:

Título Original: The Film Club
Título Nacional: O Clube do Filme
Autor: David Gilmour
Ano de lançamento no Brasil: 2009
Editora: Intrínseca
Minha avaliação:

“— Então mostrei a ela O Poderoso Chefão — ele continuou. — Mas antes de começar eu disse: Não quero ouvir nenhuma crítica sua a este filme, o.k.?
— O que ela disse?
— Que eu estava sendo ‘controlador’. Que tinha o direito de ter sua própria opinião.
— O que você disse?
— Eu disse: Não sobre O Poderoso Chefão, você não tem esse direito.
— E o que aconteceu?
— Tivemos uma briga, acho — ele disse, distraído.”

1 comentários:

Charlles Fantinel disse... [Responder comentário]

Adorei a resenha, Jaque.

Eu gostei bastante do livro, principalmente por isso que você falou da história simples e sem nada de outro mundo.
Fica a dica.

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