segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Resenha: A menina que roubava livros

Quem gosta de bons livros de época, com enredo surpreendente e emocionante não pode deixar de ler A Menina Que Roubava Livros (The Book Thief), do escritor australiano Markus Zusak. O livro, lançado no Brasil em 2007 pela Intrínseca, foi definitivamente a melhor aquisição que fiz esse ano. A história é fantástica!

O livro é narrado pela Morte e conta a história de Liesel Meminger, uma garota que se encontrou com a narradora três vezes entre os anos de 1939 e 1943. Devido a um livro autobiográfico escrito pela menina, perdido em meio aos horrores da 2ª Guerra Mundial, a Morte ficou fascinada com tudo o que Liesel passou e então resolveu contar a história da ladra de livros que viveu na Alemanha nazista.

Spoilers!

Mesclando acontecimentos históricos com ficção, Markus Zusak narra magistralmente o livro. Em um mundo literário repleto de obras sobre a 2ª Guerra Mundial pelo ponto de vista dos judeus e demais alvos dos nazistas, A Menina Que Roubava Livros mostra a sofrida realidade dos alemães de classe baixa.

A narração é leve, mas lenta. A história mostra não só o ponto de vista de Liesel, mas tudo o que a Morte presenciou. A discriminação aos judeus, a fome que assolava os lares alemães, a repressão do exército à população e, especialmente, as boas pessoas que existiam. O livro, mesmo mostrando a dura realidade da guerra, mostra que a bondade que existia entre muitos alemães.

Outro ponto a se destacar na história é o fato de o autor conseguir humanizar a Morte. Tornou-a um ser que, embora eficiente no seu papel, especialmente em meio a uma guerra, sente e lamenta diversos fatos. A Morte durante a 2ª Guerra Mundial tinha que fazer o que era obrigada. Confira o que para mim é um dos melhores trechos do livro:

“Dizem que a guerra é a melhor amiga da morte, mas devo oferecer-lhe um ponto de vista diferente a esse respeito. Para mim, a guerra é como aquele novo chefe que espera o impossível. Olha por cima do ombro da gente e repete sem parar a mesma coisa: ‘Apronte logo isso, apronte logo isso’ E aí a gente aumenta o trabalho. Faz o que tem que ser feito. Mas o chefe não agradece. Pede mais”.

Eventos na vida de Liesel, sua família e amigos ligam a história a fatos reais como A Noite dos Cristais, a Batalha de Stalingrado e os campos de concentração. Além disso, a história consegue mostrar a realidade dos campos de batalha e o medo da população a ameaça de bombardeios.

Como o livro é narrado pela Morte, diversos falecimentos são narrados com antecipação. E, apesar disso, o autor conseguiu me surpreender e emocionar a cada um deles. Fiquei extremamente comovida com a história de vida dos personagens do livro.

Com esse livro, Markus Zusak tornou-se um dos meus escritores favoritos. Já li (e resenhei aqui) outra obra do autor chamada Eu Sou o Mensageiro que também me emocionou demais. Zusak tem um jeito excêntrico de narrar suas histórias, com divisões de capítulos peculiares, com diversos pontos de vista, com histórias simples, mas cheia de profundidade. Fiquem atentos a esse autor. Ele merece ser lido!

Apesar de australiano, Markus é filho de um austríaco e uma alemã e cresceu ouvindo histórias a respeito da Alemanha Nazista, sobre o bombardeio de Munique e sobre judeus marchando pela pequena cidade alemã de sua mãe. De acordo com ele, sempre soube que essa era uma história que ele queria contar. Fico feliz por ele ter pensado assim, pois desta forma nós, leitores, recebemos esse presente. Fica a dica!

Ficha Técnica:

Título Original: The Book Thief
Título Nacional: A Menina Que Roubava Livros
Autor: Markus Zusak
Ano de lançamento no Brasil: 2007
Editora: Intrínseca
Minha avaliação:

3 comentários:

Virginia Bizerra disse... [Responder comentário]

Eu li esse livro assim que lançou e me apaixonei demais pela escrita do Zuzak.

Otima resenha !!

Juh** disse... [Responder comentário]

Acredita que esse foi o unico livro que abandonei? Vou tentar ler de novo a resenha esta perfeita!!
beijoos
Livros e blablablá

Anônimo disse... [Responder comentário]

Esse livro é tão mau que não consegui acabar de ler ...

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