quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Resenha: A Esperança - Jogos Vorazes 3, de Suzanne Collins

Uma vez vi em algum lugar que terminar de ler um bom livro é como perder um amigo. E esta foi mais ou menos a minha sensação quando finalizei a trilogia Jogos Vorazes com a leitura do último livro, A Esperança (Mockingjay), da norte-americana Suzanne Collins. A autora conseguiu manter a qualidade da trama do começo ao fim e terminou a saga com uma história bem amarrada e com uma qualidade digna de clássicos do gênero. Eu amei! A Esperança foi lançado este ano no Brasil pela editora Rocco.

Sinopse: Depois de sobreviver duas vezes à crueldade de uma arena projetada para destruí-la, Katniss acreditava que não precisaria mais de lutar. Mas as regras do jogo mudaram: com a chegada dos rebeldes do lendário Distrito 13, enfim é possível organizar uma resistência. Começou a revolução. A coragem de Katniss nos jogos fez nascer a esperança em um país disposto a fazer de tudo para se livrar da opressão. E agora, contra a própria vontade, ela precisa assumir seu lugar como símbolo da causa rebelde. Ela precisa virar o Tordo. O sucesso da revolução dependerá de Katniss aceitar ou não essa responsabilidade. Será que vale a pena colocar sua família em risco novamente? Será que as vidas de Peeta e Gale serão os tributos exigidos nessa nova guerra? Acompanhe Katniss até o fim do thriller, numa jornada ao lado mais obscuro da alma humana, em uma luta contra a opressão e a favor da esperança.

A Esperança é uma fábula tão realista que chega a ser cruel. Se é possível, mesmo não tendo lutas na arena dos Jogos como nas obras anteriores, este último livro é o mais violento de todos. A autora novamente não tem pudor nenhum ao narrar cenas de torturas, perseguições e assassinatos. Mas, mesmo assim, é também o livro mais centrado em política e estratégia da trilogia. Nesta parte da história conhecemos melhor os motivos da guerra e acompanhamos a tomada de decisões importantes para o desfecho. Poucas cenas de ação têm a participação direta da Katniss. Embora de uma forma não cansativa, é um livro mais lento que os anteriores.

Diferentemente do que eu esperava, a publicação não explica item a item da trama. Muitas coisas ficam “no ar”, especialmente porque o livro é narrado no ponto de vista de Katniss, consequentemente, só entendemos o que ela também consegue entender. Mas acredito que a intenção da autora foi justamente esta, não dar todas as respostas, deixando coisas em aberto para que o próprio leitor tire suas conclusões. E isso foi o que me aproximou ainda mais a história.

Em A Esperança Katniss está mais humana, e porque não dizer mais frágil até. Ela continua sendo uma mulher marcante, corajosa, um exemplo a ser seguido num mundo devastado como o da trama, mas a dureza de sua vida, que a tem transformado a cada livro, resultou numa pessoa com feridas psicológicas irreparáveis. Em grande parte do enredo deste último livro ela está sob o efeito de algum tipo de medicamento e por diversas vezes apresenta um estado alterado de consciência. Sua realidade e dura vida a quebrou de alguma forma. Isso fica claro durante a leitura.

Se nos livros anteriores a guerra entre os distritos e a Capital era algo iminente, neste ela é o personagem principal. A batalha pela vida, liberdade, poder e controle guia todas as ações dos personagens desta história. E cada um a seu modo. Katniss e Peeta continuam sendo peças chaves no livro, mas desta vez mais personagens têm papeis essenciais para o desfecho.

Quando pensei que o vilão da saga Jogos Vorazes era a Capital me vi completamente errada. Nesta trilogia, o antagonista é a raça humana e as conseqüências que suas decisões resultam no mundo. Algo que fica claro no decorrer das páginas é que nada é cem porcento certo. Não há certezas numa guerra, nenhum lado é completamente correto ou errado. A luta pela sobrevivência muda as pessoas, transforma seres humanos em máquinas, em número, em vítimas.

O final não foi exatamente como eu esperava e provavelmente por isso minha primeira reação ao terminar foi “poxa, o livro anterior foi melhor que este”. Mas depois de um tempo, ao digerir tudo o que aconteceu, a forma como as coisas foram encaminhadas e levando em consideração o jeito realista que a autora usa para contar a história... sim, o final foi perfeito. Não poderia ter sido escrito de maneira diferente.

Extremamente realista, mesmo sendo uma ficção. Uma trilogia que, para mim, virou um clássico. Merece (e precisa) ser lida por todos. Mais uma vez recomendo a saga (Jogos Vorazes, Em Chamas e A Esperança). Leiam!

Ficha Técnica

Titulo Original: Hunger Games 3 - Mockingjay
Título Nacional: Jogos Vorazes 3 – A Esperança
Autor: Suzanne Collins
Ano de lançamento no Brasil: 2011
Editora: Rocco
Avaliação:
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